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terça-feira, 1 de junho de 2010

FORMAÇÃO DE PROFESSORES E NOVAS TECNOLOGIAS


É fato que a sociedade tem se beneficiado do progresso tecnológico usufruindo recursos como telefone, televisão, terminais eletrônicos nos bancos e no comércio, Internet, tele-medicina, robótica..., muitas vezes sem ter consciência de seu uso e da importância no seu cotidiano. Entretanto, constata-se que os espaços de aprendizagens ainda ocorrem essencialmente no contexto concreto, real e linear das salas de aulas, nos quais a figura e o papel do professor assumem a posição de destaque e de comando. Propor que aprendizagens ocorram em outros contextos que não sejam presenciais, implica propor aos autores dessas aprendizagens, sejam eles alunos ou professores, mudanças de nas formas de ser e fazer e, não simplesmente a troca do espaço presencial para o virtual. Tal fato representa rupturas descontínuas e sucessivas nas concepções, valores, percepções, saberes e práticas compartilhadas por uma comunidade que necessita se perceber como parte dessa rede.O produto das interações continuadas na rede de conversação atuando como fontes de perturbações mútuas podem desencadear mudanças de estado ocorrendo o que Maturana (2001) denomina acoplamentos estruturais.
As aprendizagens ocorridas nesses espaços, no sentido dado por autor, são entendidas como um processo de hipergênese, indicando que nada acontece num sistema vivo que não seja decorrente de sua estrutura inicial como resultado de um caso particular de transformação de uma seqüência particular de interações, uma vez que os professores continuam sendo os principais atores e responsáveis por sua formação contínua, pois decidem de maneira autônoma seus objetivos e planejamentos. Eles se apropriam de sua formação contínua no sentido de uma auto formação e negociam suas contribuições em função de suas necessidades e da situação de suas práticas.

Mesmo trabalhando com redes coletivas, muitos estudos ainda apontam como os professores se sustentam na individualidade, ao enxergarem o que fazem e o que querem e não de perceber que o que fazem é que os produz. Compreender a formação em rede, nesse sentido, possibilita pensar com o outro. E, comparando, expondo e escutando assumir uma outra postura que seja melhor naquele momento ao permitir que crenças, saberes e significados sejam confrontados de forma autoral evidenciando que não há apenas uma simples obediência ao coletivo, mas uma significação.
Os programas de formação de professores de certa forma são influenciados por um ou alguns desses modelos. Para Zeichner (1993, p. 46) “nenhum programa de formação de professores pode ser compreendido em face de só uma das tradições. A formação em rede significa a possibilidade de explorar, de um modo não-linear, universos distintos de informação e conhecimento.
A idéia de exploração, por si só, convida a refletir sobre a aprendizagem de uma maneira distinta daquela que comumente entendida – o repasse do conhecimento exclusivamente pelo professor.
Assim, as redes de conversação, mediadas pelas tecnologias, poderão promover exercícios diferentes de docência cuja principal função não pode ser mais a de difusão dos saberes. Sua competência se deslocará no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento, incitar a troca e a mediação de saberes, além de favorecer o desenvolvimento de um pensamento mais reflexivo, sistêmico e colaborar com a criação de um novo sistema de relações e de reconstrução social.




Adaptado de http://www.ufpel.tche.br/fae/caduc/downloads/n30/14.pdf

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